| Críticas | |
"De Thereza Miranda as casas meditam no tempo e no espaço. Há um silêncio isento de asas no céu que eu, cativo, abraço. De Thereza Miranda as ruas são roteiros de solitude. Nelas vão ocultar-se, nuas, memórias que o progresso elude. De Thereza Miranda o Cristo dilacerado - é seu destino - tem um negro brilho imprevisto, e da gravura brota um hino." CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Rio de Janeiro, 15/1/1983 | |
"O caminho de cada artista se arma e desarma num mecanismo que parece fácil e inevitável, buscando compreender o processo pessoal. Depois de conquistar a técnica, desencadear as dúvidas, buscar a lucidez, descobrir a poética peculiar, a linguagem vai se revelando, anunciada nas obras anteriores, parecendo nova e surpreendente. Acompanho a obra de Thereza Miranda há muito tempo, gosto de sua gravura. Buscando suas raízes revelou sua visão sensível. Marcou sua presença. Sua pintura me surpreendeu e sensibilizou, tão diversa do que buscou na gravura. Nova linguagem, nova trilha, mas sente-se, é Thereza. É pintora. Thereza não busca, encontra. Sua pintura parece uma respiração. Revela sua maturidade e sua juventude. Pois... te desejo vida longa, menina." | |
CARLOS SCLIAR artista plástico | |
| Texto de apresentação para a exposição de pinturas de Thereza Miranda na Galeria Cândido Mendes de Ipanema - Rio de Janeiro, 1994. | |
| "O olho do artista seleciona, valoriza ou hierarquiza o detalhe, arrancando-o da massa informe ou do anonimato. E, ao agir assim, está ajudando, de modo indireto, a sensibilizar as pessoas para a beleza das coisas. É o que faz Thereza Miranda com suas fotogravuras. Este Rio que aparece em detalhes nos trabalhos expostos é tão bonito que dá raiva saber que breve deixará de existir. Ou dá vontade de a gente sair por aí, como um cruzado, defendendo cada muro, fachada, varanda, bandeira de porta, escada ou ornamento de velhos casarões, armazéns, estações e restaurantes espalhados pelos bairros próximos ao centro do Rio de Janeiro. Thereza faz sua parte: selecionou alguns detalhes incríveis como o relevo de uma antiga estação de burros ou a cúpula do restaurante Albamar, a fachada de um velho armazém na Gamboa ou uma vista do Morro do Pinto e os trabalhou esteticamente. Fragmentou, somou, inventou, calcou em relevo, repetiu ou fez variações em comentários gráficos. E com o domínio técnico de sempre. Esta sua exposição, portanto, tem uma tripla significação: ela denuncia o desamor do carioca, seja ele autoridade ou simples cidadão pela sua cidade, divulga uma nova técnica e confirma as suas qualidades de gravadora. Mais não é preciso." | |
FREDERICO MORAIS crítico de arte | |
| Condensado da crítica publicada em O Globo sobre a exposição Gravuras do Rio de Janeiro, de Thereza Miranda, na galeria Bonino - Rio de Janeiro, 1982. | |
| "O que fica evidente nesta série de gravuras de Thereza Miranda, além do domínio do 'intaglio', é sobretudo a manipulação de uma técnica a serviço de uma linguagem gráfica coerente com o projeto artístico. Thereza Miranda foi ao Maranhão para sentir de perto o espaço vivido por seus antepassados, levada por uma espécie de necessidade existencial. Procurou recuperar este espaço reinventando-o dentro de uma visão própria e contemporânea. A memória foi absorvida neste processo pelo reconhecimento do que dele restou: uma memória passada a limpo, com emoção. O registro deste inventário se configura através de casas, telhados, muros, frestas e fendas e estes elementos são tratados sem o rigor de documentação, por uma matéria gráfica densa que se desdobra em delicadas escalas cromáticas, impregnando todo o conjunto de uma atmosfera silenciosa, ora lírica, ora dramática, mas sempre carregada de irresistível apelo poético." | |
RENINA KATZ artista plástica | |
| Texto de apresentação para a exposição Gravuras do Maranhão, de Thereza Miranda, no Palácio dos Leões - São Luís do Maranhão, 1980. | |
| "A artista fotografa, grava em fotogravura, marca incisões, grava e regrava, desfaz e refaz a imagem para fazer a obra. Por isso, o tempo principal advém do processo de criação dessas cidades na gravura da artista. As obras são como mapas do percurso que Thereza Miranda propõe à nossa sensibilidade. Nessas gravuras a artista evita ou elimina a presença direta da figura, de pessoas em cena. Cidades e prédios vazios de gente. Marcas de quem constrói e destrói. Assim voltam a habitar esses espaços, povoando a obra de memória e fantasmas vivos." | |
PAULO HERKENHOFF crítico de arte e curador do MOMA (N.Y.) | |
| Condensado do texto de apresentação para a exposição Gravuras de Minas, de Thereza Miranda, na Galeria Bonino - Rio de Janeiro, 1986. | |
| "A inteligente liberdade com que a artista enfoca um motivo, em sua totalidade ou em detalhe, e a estrutura com outros elementos são alcançadas sempre com precisão e oportunidade. Assim sua obra se constitui numa preciosa 'memória' para o futuro. Podemos dizer que Thereza Miranda consegue realizar, com perfeição e beleza a 'poesia' da técnica: reflexo de sua delicada sensibilidade que transforma um procedimento de natureza exata num valor poético." | |
LÍVIO ABRAMO um dos maiores artistas brasileiros | |
| Condensado do texto a exposição de Thereza Miranda no Centro de Estudos Brasileiros - Assunção (Paraguai), 1983. | |
| "Thereza Miranda percorreu um longo caminho desde seus primeiros tateios no campo da gravura em metal, nos anos 60, até hoje, quando tem o pleno domínio das técnicas de gravar e de sua linguagem poética. Estão incorporadas ao patrimônio da gravura brasileira as obras que realizou, com apoio na fotografia, versando imagens de nossa arquitetura colonial, notadamente de São Luís, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Conseguiu, nessas séries, expressar a comovente beleza dessas casarios marcados pelo tempo e pleno de história. É a mesma visão nostálgica e poética do mundo que ela expressa também, através de outros temas, na linguagem da pintura." | |
FERREIRA GULLAR poeta e crítico de arte | |
| Texto para exposição Fotos de 99 mulheres, de Rogério Ehrlich, no Museu da República, Rio de Janeiro, 1999. | |
| "Aliando a gravura como meio de expressão à fotografia, Thereza Miranda percorre o caminho da descoberta de suas raízes. Preocupada com o patrimônio cultural do país, começa a documentar com sua arte a arquitetura brasileira. É o patrimônio arquitetônico do Rio de Janeiro, Minas, Maranhão. Thereza Miranda aprisiona um instante e os séculos na sua câmara fotográfica. Cria uma iconografia própria, soma de construções históricas, paisagens paradisíacas e experiências afetivas. É no espaço entre as duas técnicas unidas na fotogravura que se estabelece um discurso que acorda o nosso olho e a nossa mente, nos alerta sobre o perigo que correm essas arquiteturas, essas grades, essas pedras. Na pintura, as paisagens de Thereza são produto de um calmo olhar subjetivo e uma lenta e paciente técnica. Thereza trabalha com tinta muito aguada, camada sobre camada: é uma pintura da levidade, da transparência. O tema do patrimônio natural aparece de forma sistemática. O seu olhar é contemporâneo, um contínuo processo de criação, visão pessoal, um constructo, uma paisagem subjetivada, conceituada, inventada." | |
IRMA ARESTIZÁBAL curadora e professora de Arte residente em Buenos Aires | |
| Condensado do texto de apresentação do catálogo da exposição Paisagens, de Thereza Miranda com curadoria de Irma Arestizábal, no Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro, 1998/99. | |
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